Make your own free website on Tripod.com
WAVE TRANSMITTER

Roberto Landell de Moura (1861-1928) - Brasil
Patente n. 771.917 - 11/10/1904 - Governo Norte Americano - obtida do
"THE PATENT OFFICE at WASHINGTON"


 
Réplica do "Wave Transmitter" construida  pela Fundação de
Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul - CIENTEC, sob
direção  técnica do Eng. José Germany e o trabalho
técnico da equipe do Eng. Antonio Carlos Solano.
Este aparelho foi construido por uma proposta do Eng. Otto
Albuquerque, na época Diretor Executivo da LDN/RS.
Esta réplica encontra-se em exposição no Centro de
Educação permanente da FEPLAM - Fundação Educacional
Padre Landel de Moura - à Av. Ipiranga, 3501 - Porto Alegre
Rio Grande do Sul - Brasil - ( 05l )  336-9131 - CEP:90160.001

Especificações que formam parte integrante da Carta Patente
N.771.917, datada de 11 de Outubro de 1904
Requerimento de 9 de fevereiro de 1903 - Série N. 142.440


"A quem interessar possa:

Saibam que eu, Roberto Landell de Moura, cidadão da República do Brasil, residente no distrito de Manhattan da cidade de Nova York, Estado de Nova York, inventei um novo Transmissor de Ondas, de que faço as seguintes especificações: Minha invenção relaciona-se a transmissões de mensages, de um ponto a outro, sem auxílio de fios, ou, resumidamente, à sinalização através do espaço.

Tem como objetivo produzir melhores resultados com aparelhos simplificados, utilizando certos principios qu eu mesmo descobri. Até agora, quando se tinham de transmitir sinais, a transmissão era feita por meio de aparelhos de funcionamento manual. Em alguns casos, estes foram substituídos por mecanismos automáticos; mas o manejo de tais mecanismos, ou a manipulação de uma chave, requer certa habilidade e experiência do operador. De acôrdo com minha invenção, produzo, primeiramente, oscilações eletricas e tremulações de Luz, por meio de
vibrações sonoras, que podem ser as da voz humana ou de outros sons.

Emprego então, essas oscilações elétricas ou luminosas, assim produzidas, para telefonar ou telegrafar através do espaço. Em tal transmissão, e especialmente telefonando, posso usar invenções semelhantes às que descrevi em meu requerimento anterior, protocolado em 04 de
outubro de 1901, Série N.77.576. Para produzir as duas espécies de oscilações mencionadas, inventei uma disposição de circuitos e de certos aparelhos que denominei "interruptor fonético".
Meu interruptor fonético consiste, essencialmente, em um par de contatos capazes de reproduzir os tons da voz ou as vibraçoes partidas de qualquer fonte que possa controlar o circuito primário de uma bobina de indução de alta-frequência, primário este que está ligado ao primário de uma bobina de Ruhmkorff, para transmissão.

As vibrações sonoras no interruptor são transformadas em ondas elétricas ou luminosas, as quais, passando para a estação-receptora, são aí recebidas e atuam sobre aparelhos adequados, por meio dos quais podem elas tornar-se perceptíveis com o emprego de um Receptor Telefônico, de
uma lâmpada, de um registrador Morse, ou coisa semelhante. Minha invenção está detalhadamente descrita nas seguintes especificações, e ilustradas nos desenhos anexos.
Com relação à  1 é um corte de meu interruptor fonético com todas as partes representadas. Em 2 a figura representa uma chave-reguladora para o núcleo da bobina de indução. Em 5 estão representados os circuitos transmissores, com os aparelhos representados em seus lugares. Em 1 temos a caixa, ou invólucro não condutor, e A' é uma tampa. Esta tampa é feita de modo a conter uma câmara ressonante, na base da qual existe um disco perfurado A2, e sustentado pelo invólucro, está um diafragma (a), tendo em seu ponto central uma ligeira depressão (a').

Colocada no interior do invólucro e apoiada em saliências adequadas, há uma bobina de indução D, que tem o enrolamento primário (d) e o secundário (d'), em volta de um núcleo de ferro doce
(d2). Esse núcleo é oco, e em seu interior existe um eixo central (B), suportado, em sua extremidade superior, pela extremidade perfurada do núcleo, e, em sua extremidade inferior, é fixado  interiormente por meio da porca (b) atarraxada na extremidade inferior do núcleo, e da guia (b4). O eixo tem uma cabeça (B'), pela qual pode ser manipulado. A função do ajustamento
é permitir que a estreita abertura de ar, entre a extremidade do eixo, em (b2), e o diafragma (a), em (a'), seja de tal modo disposto que as vibrações da palavra articulada produzam um movimento contínuo, rápido e regular, e interrompam o circuito. Por meio da chave K (representada em 2), a porca (b) pode ser aparafusada quando o eixo está ajustado, introduzindo as hastes (k) e (k4), da chave nos orifícios (b3) da porca.

Fixado na extremidade superior da tampa (A') existe um tubo flexível (C), com um bocal (c).
Para fazer uso do aparelho, o operador fala de acordo com um código preestabelecido,   ou de qualquer outra maneira, pelo bocal (c).As ondas sonoras propagadas através do tubo, e, passando através da abertura central da tampa (A2), atuam sobre o diafragma (a), produzindo uma vibração correspondente, em consequência da qual, se os ajustamentos tiverem sido corretamente feitos, uma série rápida de contatos e interrupções ou de sucessivos contatos terá lugar entre o diafragma e a extremidade de (b2), correspondendo sua frequência às ondas que produzem.
Esses contatos e interrupções determinam impulsos ou variações de corrente , no circuito primário 12.

A produção e as interrupções de contatos tem como consequência produzir pulsações de corrente no enrolamento primário,, correspondendo muito aproximadamente aos tons de voz ou aos sons por ela produzidos. Certamente é impossível obter um ajustamento de contato tão perfeito que reproduza todos os harmônicos e torne perfeita a articulação,  mas por outro lado, para obeter os efeitos de descarga a que vou agora referir-me penso ser melhor obter interrupções positivas  do que  simples mudanças de resistência no circuito. Não é necessário dizer que posso ajustar os contatos de modo a produzir contatos constantes e pressão variável, requisito para que seja perfeito o trabalho microfônico; mas, com intuítos práticos, acho que é melhor produzir os impulsos do modo que descrevi.

Considerando agora 5, vou descrever as conexões de meu aparelho, para obter um sistema eficaz.
F é uma é uma bobina de Ruhmkorff ou outra qualquer bobina de indução e de alta potência, ajustada de maneira a produzir uma centelha de certo comprimento - digamos de cerca de um quarto de polegada ou mais. O enrolamento primário (f) dessa bobina, está ligado ao circuito 15 e 16, que inclui a bateria principal M e o interruptor fonético (A). O enrolamento secundário da bobina (F), assinalado por (f') está ligado pelos fios 7 e 8 aos terminais 21 e 20 do feixe de fios irradiantes, que podem ser de forma comum ou espeical de qualquer condutor aéreo, com ou sem terra  de um dos lados. Um par de terminal (11) (12), para produzir centelha, está previsto, para ser intercalado no circuito (7) (8), pelos simples fechamento do interruptor (S'). Está também ligado ao circuito secundário, um condensador de capacidade conveniente. O circuito primário (15) (16) vai da bobina de Ruhmkorff aos terminais primários da bobina de indução (D), no interruptor fonético.

O enrolamento secundário (d') está ligado a um circuito local (19), que contém um receptor telefônico (T), e o circuito primário inclui uma lâmpada (e), que pode servir tanto para transmitir quanto para receber mensagens. Existe também um condensador (G), de capacidade conveniente, intercalado no ciruito primário. A maneira de usar o sistema descrito, é a seguinte: Para transmitir ondas hertzianas, correspondentes a  vibrações sonoras, o interruptor (S') é fechado e o interruptor (S) é aberto, e o operador passa a produzir os sons desejados, por meio do bocal (c)
do interruptor fonético. Uma sucessão de impulsos é assim produzida no circuito primário da bobina (F), efeito este que é aumentado pela presença do condensador (G), que absorve o execesso de corrente, contribui para a rápida desmagnetização da bobina de indução, e impede,
ainda, a produção de centelhas entre o diafragma e a ponta do eixo. Estes impulsos no primário, que são muito rápidos e que atingem cerca de quinhentos a novecentos por segundo, quando a ajustagem é adequadamente feita, produzem impulsos de alto potencial no secundário.

Para produzir oscilações de luz por meio do interruptor, na estação transmissora, emprego a  voz humana natural , de preferência, porque as tremulações produzidas, correspondendo, em forma e frequência, aos sons iniciais, e sendo estes convenientemente reproduzidos com o auxilio de aparelhos adequados, na estação receptora, permitem o reconhecimento mais ou menos perfeito dos sons originais, e visto como muitas palavras ou tons podem ser reconhecidos por seu valor intrínseco, tanto como por qualquer valor que lhes possa ser emprestado por meio de qualquer código arbitrário, um número suficiente de palavras distintas pode ser selecionado, para constituir um código completo e muito eficiente.

É claro que outras fontes de vibraçoes sonoras podem ser empregadas para substituir a voz humana. Assim para produzir oscilações elétricas por meio do mesmo interruptor, pode ser usada na estação transmissora, uma fonte de sons constituída de um instrumento musical semelhante a um pequeno órgão, tendo um conjunto de palhetas ou de tubos acústicos ligados ao bocal do tubo-interruptor. Fazendo vibrar então fortemente o diafragma do interruptor, este produz oscilações de luz ou de eletricidade  que podem ser recebidas, depois de transmitidas, por meio de
qualquer aparelho convenientemente sensível. Em adição a este método de transmissão por meio de ondas elétricas ou luminosas, como disse, algumas das particularidades aqui descritas podem ser usadas juntamente com os meus outros sistemas. Em um desses sistemas, emprego ondas ou sinais intermitentes de luz, para transmitir sinais de códigos.

No caso presente posso empregar a lâmpada (e), de modo análogo, produzindo as variações iniciais de corrente por meio do interruptor fonético. Se as pulsações de luz forem demasiadamente rápidas, pode-se regular o ajustamento dos terminais fixos e do diafragma, até que a amplitude das variações seja suficiente para eliminar todos os tons, menos os fundamentais. De fato, pode ser dado mais peso ao diafragma, se assim for preciso, ou suas pulsações podem ser, de outro modo, retardadas. No caso da transmissão ser feita por ondas de luz, emprego refletor e posso usar também telas de vários materiais, tais como lâminas de vidro colorido, e se me aprover, substituir a lâmpada indicada por uma lâmpada catódica, do tipo descrito em meu outro requerimento, ou qualquer outra espécie de luz.

Observe que o mais importante e, de fato, o aspecto essencial de meu invento é o emprego de um transmissor que se liga e desliga por efeito das vibrações sonoras, fazendo com que as ondas de luz ou eletromagnéticas transmitidas correspondam, de modo bem aproximado, às ondas sonoras pelas quais elas são produzidas.
 


Diagramas Originais do Wave Transmitter

 





Material de Pesquisa:

O Incrível Padre Landell de Moura (Ernani Fornari), En El Aire: La luz Que Habla (Otto Albuquerque), Landell de Moura (B.Hamilton Almeida), O Outro Lado das Telecomunicações - A Saga do Padre Landell - (B.Hamilton Almeida), O Homem Que Apertou O Botão da Comunicação -( Editora Feplam - Seg. Ediçao 1977). Agradecimentos especiais aos amigos Francisco Rodrigues Leite - Olegário Vargas - Sonia Rinaldi, Fernando H. Oliveira - que colaboraram enviando material que me estão possibilitando estudo e pesquisa da obra desse nosso grande patrício cientista.
Regressar à página principal