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ENTREVISTA COM O ENG. ANTONIO CARLOS SOLANO EM 19-04-2001
Eng. da Cientec - Supervisor responsável pela construção da réplica do
Transmissor de Ondas - Técnicos José Clovis Totel e Antônio Felipe Pepe
 
LUIZ NETTO
 
 
Como este é um site sobre a vida e obra do cientista Roberto Landell de Moura, algumas pessoas as vezes me escrevem pedindo instruções de como construir um protótipo do Transmissor de Ondas do Padre Landell de Moura, na esperança de que eu tenha todos esses dados prontinhos, de modo que seria facilitado o seu trabalho para que construissem o modêlo e assim pudessem voltar ao tempo e experimentar a sensação dos primórdios do rádio, quando as primeiras ondas eletromagnéticas, codificadas com informações inteligíveis cortaram os espaços nos primeiros tempos do "Wireless" como diriam os americanos.
 
Embora  Landell tenha deixado todos os esquemas funcionais desses aparelhos, não consta nenhuma especificação dos valores dos componentes de seus inventos, nem mesmo os que foram remetidos ao Departamento de Patentes Norte-Americano. Óbviamente que isso se tratava de um cuidado que ele tomou para evitar eventuais surrupios de seus inventos. Em 1984, portanto 80 anos após a obtenção das patentes de Landell no United States Patent Office, por orientação de Otto Albuquerque, um dos biógrafos de Landell de Moura - " No ar a luz que fala",  -  a Cientec - Fundação de Ciência e Tecnologia, em Porto Alegre, reconstruiu sobre a orientação do Eng. Antonio Carlos Solano, e com a participação dos técnicos - José Clovis Totel e Antônio Felipe Pepe  -  uma réplica do Transmissor de Ondas - " Wave Transmitter" - patente 771.917 de 11 de Outubro de 1904, o primeiro aparelho transmissor de rádio do mundo, com a capacidade de transportar a VOZ HUMANA.
 
Conta-nos o Eng. Solano que trabalharam durante 3 meses para poder desenvolver o protótipo e naturalmente tiveram que pesquisar quais materiais existiam na época para construir um modêlo que fosse o mais fiel possível daquilo que foi construido por Landell. Infelizmente ele não tem um relatório por escrito da construção, dos materiais, dimensões de componentes etc., de modo que o que aqui vamos relatar é aquilo que lhe ficou à memória, não sendo portanto um retrato fiel daquilo que foi feito, mas certamente vale como orientação para aqueles que queiram se aventurar a fazer experiências para a construção de um protótipo do "Wave Transmitter". De maneira que tomem o que aqui vai apenas como um rumo que foi seguido.
 
SOBRE O CENTELHADOR UTILIZADO NO TRANSMISSOR DE ONDAS
O centelhador utilizado foi uma bobina de Ruhmkorff
 
 
A escolha do núcleo de ferro foi feita com o critério que este núcleo não tivesse alta remanência. Por incrível que pareça este material foi comprado em uma loja de artesanato feminino, esse arame de ferro que é utilizado para se fazer maços de flores. Foi feito um feixe desses arames sendo que cada um deles foi revestido com papel para que ficassem isolados entre si. Foi utilizado no núcleo um feixe de 60 a 100 arames.
 
f = Primário da bobina de Ruhmkorff
f ' = Secundário da bobina de Ruhmkorff
 
AS BOBINAS PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIA - (f e f ')
 
A bobina primária teria ao redor de 100 espiras de fio #14. A bobina secundária é na verdade formada por 4 bobinas cada uma delas ao redor de 2000 espiras cada uma fio # 38. Três das bobinas secundárias foram ligadas faseadamente em série, sendo extraido de seus terminais finais a alta tensão para provocar o centelhamento. Uma das bobinas secundárias ficou como reserva para o caso de se substituir uma delas caso se rompesse.
 
CAPACITORES NO PRIMÁRIO E SECUNDÁRIO - (G e G ')
 
Os capacitores G e G' são de dielétrico de Vidro, desses utilisados nas janelas, ao redor de 10 cm x 10 cm, com espessura de 3 mm, tendo uma placa de aluminio de cada lado, com o seus respectivos terminais. Segundo o Eng. Solano, obteve-se uma boa chispa no secundário. Temos que levar em consideração que toda vez que o contato do diafragma é aberto, a interrupçao da corrente que circula pelo primário, provoca pela lei de Lens, tensões elevadíssimas no secundário. A supressão de faiscas no primário pela utilização do capacitor evita que os contatos entre a agulha B' e o diafragma se deteriorem.
 
Pelo capacitor secundário no momento que o contato no primário é aberto, elevadas tensões são induzidas e o capacitor se descarregará com oscilações elétricas amortecidas, aparecendo aí um espalhamento em grande faixa de freqûencias. É claro que o conjunto da bobina secundária em paralelo com o capacitor secundário tem uma freqüência de ressonância própria, e irradia multiplos pares e ímpares dessa freqüência. O sinal irradiado pode ser detetado em rádios de A.M e F.M. Lembremos que aqui não temos uma modulação de amplitude, temos uma seqüência de abertura e fechamento de contatos que cadenciam com a freqüência da voz no momento que fala o locutor. O dispositivo detetor da época era o coesor de Branly, também utilizado por Padre Landell.
 
Oscilações  Elétricas Amortecidas
 
Muita gente acha que o coesor de Branly só se presta para a deteção de sinais de telegrafia, mas não nos esqueçamos que até através de um amplificador de audio podemos ouvir perfeitamente uma emissora de A.M. Sabemos que a fiação utilizada nos circuitos representam indutâncias e entre os fios também temos capacidades parasitárias. Logo podemos ter com essas bobinas e capacitâncias eventuais circuitos ressonantes em determinadas freqüências. Algumas não linearidades de alguns componentes funcionam como se fossem diodos detetores. Eu me lembro de muitas vezes estar consertando amplificadores de áudio valvulados e de vez em quando ouvir uma estação de rádio, quando tocava na grade de controle de uma válvula de áudio para ouvir o "ronco" de 60 Hz, com o intuito de verificar em quais estagios o sinal estava tendo prosseguimento. Cansei de deparar-me com esse fenômeno consertando os " DELTA"... Ah!... Não é do tempo do galena... mas já faz um tempinho também...!
 
Os sinais detetados não são perfeitos, segundo o Eng. Solano, as letras m,n,l,c,s,f,v e g não são reproduzidas como estamos acostumados a ouvir, mas apenas os sons guturais que as acompanham e que as consoantes, t,d,p,b e que e as vogais A e E são reproduzidas de maneira igual entre si. Está claro também na recepção será impossível diferenciar se é voz de mulher ou homem porque o aparelho apenas vai responder ao cadenciamento de voz. Toda a riquesa constituintes do timbre da voz, característica única do timbre da voz de cada ser humano e que também identifica os instrumentos musicais, não será reconhecido. Isto sómente é verificado no seu Transmissor de telefonia sem fio.
 
{CAPTADOR DE SOM - BOCAL - Caixa de Ressonância - (Interruptor Fonético)} -
DIAFRAGMA - Lâmpada de Monitoramento
 
O interruptor fonético  é um dos elementos mais importantes do invento de Landell. Em última análise o que ele faz nada mais é do que como se tivessemos a manipular uma chave morse abrindo e fechando de acôrdo com as freqüencias da voz, já que ele não reconhece a amplitude do sinal, mas sómente a cadência da voz. A caixa de Ressonância tem um diâmetro em torno de 10 cm de diâmetro. Para a escolha do material do diafragma experimentou-se vários materiais: folha de flandres,cobre laminado, cobre martelado. Com cobre martelado a peça ficou sensível demais. Com bronze fosforoso funcionou melhor.
 
Os dispositivos internos para contato foram utilizados platinado de automóvel, peças de mecânismos de relojoaria. O dispositivo de Monitoramento de saída de sinal foi utilizado uma bobina primária e secundária tal que a impedância do secundário fosse compátivel para colocar como carga um fone de ouvido, na época um célula de telefone. A lâmpada de monitoramento, no caso deve ser uma lâmpada para trabalhar com tensão de 12 volts, já que a tensão de trabalho escolhida foi de 12 Volts. Esta indicará se contatos de fechamento e abertura do interruptor fonético estão se produzindo.
 
ANTENA
Segundo o Eng. Solano, com um aterramento muito bom, percebe-se uma melhoria boa na deteção dos sinais. O modêlo que está expôsto na FEPLAM - em Porto Alegre - tem um fio com a dimensão ao redor de 1 metro. Naturalmente deve-se fazer várias experiências para determinar qual o melhor comprimento, já que para se calcular o comprimento deveria se saber exatamente qual a freqüência fundamental de operação do equipamento e cortar a antena em submultiplo de comprimento de onda da freqüência de  operação em
.
ESFERAS DE CENTELHAMENTO
As esferas de centelhamento tem aproximadamente uns 5 centímetros de diâmento, naturalmente de material condutor.
A distância de centelhamento deve ser ajustada.
 
Transmissor de Ondas
Micr.Eletromecânico-capacitor-bobina-capacitor-bateria
fone de monitoramento - esferas de centelhamento
Antena - (último terminal à direita).
 Foto enviada pelo amigo landelista radioamador Ivan Dorneles Rodrigues - PY3 IDR
 
 
Microf.Eletromecânico -capacitor-Bobina de Ruhmkorff - Lâmpada-capacitor
Caixa da Bateria- esferas de centelhamento - Fone de Monitoração do sinal
Antena - fio do último terminal à direita.
 Foto enviada pelo amigo landelista radioamador Ivan Dorneles Rodrigues - PY3 IDR
 
 
Se alguém que já tenha construido o aparelho quizer mandar detalhes sobre o protótipo construido,
desempenho do instrumento, fotos, escreva-nos
bvalumbrosius@yahoo.com.br
 
 
 Observação: Se algum leitor deste site souber de alguém que tenha eventualmente algum documento
do Pe. Landell, quando tenha passado por Campinas, Botucatu, Mogi das Cruzes, Santos, Uruguaiana,
Porto Alegre ou qualquer outro lugar, mande-nos para que possamos publicar.
 
CONSTRUÇÃO DE BOBINAS DE RUHMKORFF
 
A próxima página tratará de como construir bobinas
de Ruhmkorff - Com a anuência do Prof. Luiz Ferraz Netto
Vamos utilizar o seu trabalho do seu site de ciências - http://www.feiradeciencias.com.br